Riso


Roda de Leitura na Semana de Letras UNESA - Méier

Dia 26 de outubro, quinta-feira, às 20h30 – Roda de Leitura no Auditório do campus Méier
Universidade Estácio de Sá – campus Méier
R. Lins de Vasconcelos, 58 - Méier (Colégio Nosso Lar)

A Roda será representada por Claudia, que lançará seu primeiro livro – breviário de c.; Thiago, Paula e Janaína lerão textos de breviário de c.; Riso, apresentará Ana Cristina Cesar e a poesia marginal; Henrique falará sobre o relevante poeta beatnick Carl Solomon; e João comentará a literatura de Hilda Hirst.

É pertinente lembrar que no mesmo dia, às 19h, a Profa. Dra. Gilda Korff Dieguez brilhará a noite com a sua apresentação. Simplesmente imperdível!

Um abraço,
Riso



Escrito por Riso às 16h23
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A transnacionalidade das seleções e as torcidas nacionais
Como jogadores e torcedores lidam com o sentimento nacional em um futebol globalizado

Os exíguos segundos que a transmissão televisiva mostrou os jogadores Deco (brasileiro naturalizado português) e o seu adversário Boulahrouz, ambos jogadores do clube espanhol Barcelona, sentados lado a lado no banco de reservas holandês, enquanto os dois países promoviam uma batalha em campo com lances ríspidos e violentos como há muito não se via em uma Copa do Mundo, motivaram-me a tecer considerações a respeito da globalização predominante na contemporaneidade e suas influências no evento esportivo de maior repercussão mundial.

A Copa, momento máximo do futebol, mobiliza não só os povos dos 32 países participantes, mas praticamente todo o mundo. É palco de raras manifestações em nossos dias de sentimento nacional por parte dos torcedores que acompanham suas seleções nos países que sediam a competição. Quando a Copa é na Europa como a atual, os torcedores europeus invadem o país-sede. Tarefa que é facilitada pelo bom poder aquisitivo da maioria dos países e a distância relativamente curta incentiva o deslocamento.

Nas cidades onde são disputadas as partidas, os torcedores, não só os europeus, mas de todos os países participantes, acentuam suas diferenças culturais e valorizam os símbolos nacionais, geralmente os que têm repercussão mundial. Sendo assim, vemos ingleses travestidos como guerreiros das Cruzadas, brasileiros e africanos com suas batucadas, espanhóis como toureiros, holandeses alaranjados, suecos como vinkings. Em comum, todos com a camisa de sua seleção e a onipresença da bandeira pátria e suas cores, que podem estar nas faces ou nos mais diversos objetos de consumo. O que importa é escancarar e celebrar a sua origem, algo cada vez mais incomum no mundo globalizado, no qual os Estados deterioram-se diante do poderio dos grandes conglomerados econômicos.

Entretanto, para os anfitriões da Copa, os alemães, expressar qualquer sentimento nacional é visto com delicadeza por causa dos erros do passado, vide que manifestações racistas são comuns até hoje. É um assunto complicado em que os alemães ainda procuram a melhor maneira de lidar com a representação dos símbolos pátrios. Contudo, o clima festivo nos jogos e nas cidades por onde a seleção atua, mostra que as novas gerações relacionam-se melhor com os traumas do passado.

Embora as torcidas propaguem suas nacionalidades, as seleções atuais são formadas por atletas cada vez mais globais. São ídolos conhecidos no mundo inteiro como os Ronaldos e o inglês David Beckham, e distantes das suas pátrias, seja pelo fato de atuarem nos principais centros da bola no mundo, no caso Europa, seja pela transferência precoce dos jogadores (o argentino Messi, com 18 anos, joga no Barcelona). Este processo começou a ser notado pós-Copa 1982, quando os italianos investiram pesado no seu campeonato nacional e contrataram algumas das principais estrelas do futebol à época, no que foi acompanhado em menor escala pelos outros países. Porém, havia o limite de dois estrangeiros por clube, anos depois passou para três até chegar na impressionante marca do clube Chelsea que, numa partida do campeonato inglês escalou o time inteiro com jogadores estrangeiros. Hoje, os times mais ricos da Europa são verdadeiras seleções do mundo, como o já citado Chelsea, os espanhóis Real Madri e Barcelona, e os italianos Milan e Juventus entre outros.

Com a ação intensa dos clubes europeus que contratam as principais estrelas e os atletas medianos sul-americanos, africanos e do Leste europeu, tal atitude tem deixado o futebol próximo da homogeneidade, onde as características de cada escola futebolística se perde com o passar do tempo. Nos africanos isso fica claro, pois tentam aproximar-se da disciplina tática européia em detrimento do estilo original de habilidade, que deixa-os parecidos com o jeito sul-americano. Para exemplificar, temos a seleção de Costa do Marfim que apenas um dos vinte e três jogadores não atua em solo europeu; Gana com 19 atletas, sendo que o jogador Essien foi contratado recentemente por U$ 38 milhões pelo Chelsea; e o próprio Brasil, com apenas um jogador atuando por aqui.

Com isso, os clubes europeus conquistaram admiradores pelo mundo e tornou-se comum encontrarmos garotos vestindo orgulhosamente camisas do Manchester United ou Barcelona, e alguns até preferem os times estrangeiros aos nacionais, algo que reverbera na imprensa esportiva brasileira também, que considera o futebol jogado no continente europeu melhor que o daqui. Será o retorno do complexo de vira-latas de Nelson Rodrigues?

Diante do que já foi exposto, a Copa 2006 na Alemanha apresenta algumas peculiaridades. Emblemática a cena de Deco e Boulahrouz, o convívio nos clubes entre jogadores de várias nacionalidades suaviza a rivalidade entre as seleções. Já sofremos na pele com isso, basta lembrar da Copa de 1990, Brasil x Argentina, Maradona recebe uma bola no meio-campo e seu companheiro de clube (o italiano Napoli), Alemão, tira o corpo para não fazer a falta no craque, este segue com a bola até passar para Caniggia, gol da Argentina e o Brasil despede-se da Copa.

Atualmente os jogadores têm consciência do seu valor enquanto mercadoria, pois movimentam cifras milionárias atraindo patrocinadores e, em alguns casos, é mais importante jogar pelo clube à servir a seleção seu país. Por outro lado, temos algumas manifestações significativas, tais como a recente separação de Sérvia e Montenegro que provocou polêmica no elenco porque jogadores montenegrinos não queriam que executassem o hino antes dos jogos; Ballack, a principal estrela alemã, nasceu no lado oriental e sempre lembra a sua origem; e a solidariedade africana com Gana, único país do continente que conseguiu classificar-se à fase seguinte, obteve apoio de toda a África e de grandes estrelas como Eto'o (Camarões/Barcelona) e Drogba (Costa do Marfim/Chelsea).

Por outro lado, torna-se pertinente pensar até quando os jogadores terão ânimo para vestir e "honrar" as camisas de suas seleções? Que identificação com o país podemos exigir de Ronaldo Fenômeno que vive no exterior há 12 anos? Para quem completará 30 neste ano, surpreendo-me por ele ainda falar português. Um novo problema é a postura dos milionários clubes europeus que ostensivamente dificultam a liberação de seus jogadores às seleções. Em 1970 o Brasil preparou-se durante dois meses. Para esta Copa, Parreira só teve 15 dias para treinar seus comandados. Talvez a Copa do Mundo seja um torneio em vias de extinção...

Riso
25/06/2006



Escrito por Riso às 23h38
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Antes que o outono termine


A partir da idéia de que o outono, dentre várias leituras, representa a época de colheita  visando o bem-estar necessário para o inverno que se anuncia, considerando-o como rigoroso, resolvi expressar uma das características principais da estação outonal: a queda das folhas das árvores. Diante disso, decidi utilizar meios fora da pintura, ou seja, usar (intervir na pintura) as próprias folhas e galhos à representar o tema sugerido.

Com a idéia da intervenção pronta, a escolha das cores (branco, preto e cinza - uma palheta reduzida) também baseou-se no caráter imediato, de aqui e agora que o tema nos proporciona. Então, associei a idéia de céu acinzentado para demonstrar a mudança temporal que se aproxima, e a alteração climática também representa uma alteração de estado de espírito em relação à vida, que pode estar sofrendo um momento de turbulência, conflitos, angústias e inquietações no melhor estilo simbolista de Charles Baudelaire ou Arthur Rimbaud.

Portanto, ao pensar em colheita e no tempo ruim que estar por vir, decidi representar um casal. Um casal que talvez vivenciasse um momento difícil de convivência, o que poderia ser associado com o tempo, com as folhas que caem, os galhos que quebram... Um casal apenas com suas faces, porém que busca a solução para o impasse, para a crise. Aí, procurei ressaltar ternura, companheirismo, carinho, caráter, bondade, alegria, a satisfação da união como fatores que alimentarão e fortalecerão o amor, o porto seguro da felicidade eterna.

É importante frisar a influência da pintura “O buquê de flores dos amantes”, a fonte de inspiração às faces do casal, de Marc Chagall,  o mais apaixonado e apaixonante de todos os modernistas.

Riso
19/05/2006



Escrito por Riso às 13h42
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A Roda em SG

E aí, legal? Ontem foi o dia. A Roda de Leitura do Méier deslocou-se com prazer para a Semana de Letras – campus São Gonçalo/Unesa. Contamos com o reforço da colega Daline – Niterói –, que também participará do livro que lançaremos em breve. É uma outra onda maneiríssima, fiquem ligados! E a presença sempre bela e impactante da Profa. Luzia a comandar a Roda. Quem esteve lá percebeu que não estávamos para brincadeiras. A galera se preparou e deu conta do recado bonito, divino, maravilhoso.

Daline apresentou Paulo César Pinheiro, em seguida falei sobre Torquato Neto, a Tropicália, loucura, ditadura etc., as paradas que todo mundo já sabe ou deveria saber. Depois, Henrique incorporou a velocidade beatnick (I’m a beat man!) e mandou o visceral Allen Ginsberg pra galera, a América uivante fez-se presente. Chega João com a serenidade de um monge tibetano e escandaliza a platéia ao ler os contos depravados de Hilda Hirst. Enquanto João tecia os comentários, eu recordava Saló – 120 dias de sodoma, de Pier Paolo Pasolini, onde os quatro senhores recitavam (em alemão) tranqüilamente Nietzsche no meio das perversões. Para quem ainda não viu Saló, só tenho a dizer: corra, veja e depois me conte. É CINEMA dos bons! E para quem achou que a poeira se assentaria, Claudia apresenta o sempre surpreendente Al Berto, que estou conhecendo em doses homeopáticas. Ainda bem, porque a poesia do cara é porrada! Procurem, leiam, divulguem Al Berto! Para encerrar a nossa participação a Profa. Luzia recitou um poema de sua autoria sobre a escultora Camille Claudel, amante de Auguste Rodin. Belo e sensível, como a autora. Profa., o filme Camille Claudel, com Isabelle Adjani e Gerard Depardieu (Rodin) é sensacional!

Um agradecimento de coração à Profa. Carmen Lúcia, coordenadora de São Gonçalo, que nos recepcionou com contagiante simpatia. E também aos colegas de Letras de São Gonçalo, que nos espantaram com a presença em massa, lotando o Auditório, nos agraciaram com o silêncio atencioso e as palmas calorosas a cada poema lido ou a cada apresentação finalizada. Muito tesão! Palmas intermináveis para vocês! Valeu, galera!

E o futuro, o que nos reservará? Bom, fomos convidados para conhecermos o que rolará na Casa de Cultura da Estácio na próxima terça - 16/05, e prepararmos algo para o próximo mês. Vamos ver no que dará. Aguardem!

E aí, galera do Méier? Quando daremos ares de universidade ao nosso campus? O que você faz? Escreve, pinta, atua, borda, fotografa, filma? Vamos produzir, agitar, aparecer! Valeu!

Riso



Escrito por Riso às 09h58
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só para lembrar

Galera, quem viu sabe qual é, quem não viu corra, conecte-se, acesse, veja!!!!!

Guernica, de Pablo Picasso, é o que há!!!

E tenho dito!

 

"Eu não pinto a guerra porque não sou o tipo de pintor que, como um fotógrafo, vai à cata de um tema. Mas não há dúvida que a guerra existe em meus quadros. Mais tarde, um historiador demonstrará que minha pintura se modificou sob a influência da guerra."

Pablo Picasso

 



Escrito por Riso às 10h49
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09/05/2006 - Semana de Letras em São Gonçalo - DESAFINAR O CORO DOS CONTENTES: A INQUIETANTE POESIA DE TORQUATO NETO, será o tema da palestra que dividirei com os colegas João, Cláudia e Henrique, que apresentarão Hilda Hirst, Al Berto e Allen Ginsberg.
A seguir, uma do cara.

a) A virtude é a mãe do vício
conforme se sabe;
acabe logo comigo
ou se acabe.

b) A virtude e o próprio vício
- conforme se sabe –
estão no fim, no início
da chave.

c) Chuvas da virtude, o vício,
conforme se sabe;
é nela propriamente que me ligo
nem disco nem filme:
nada, amizade. Chuvas de virtude:
chaves.

d) (amar-te / a morte / morrer :
há urubus no telhado e a carne seca
é servida: um escorpião encravado
na sua própria ferida, não escapa: só escapo
pela porta de saída).

e) A virtude, a mãe do vício
como eu tenho vinte dedos,
ainda, e ainda é cedo:
você olha nos meus olhos
mas não vê nada, lembra ?

f) A virtude
mais o vício: início da
MINHA
transa, início, fácil, termino:
“como dois mais dois são cinco”
como Deus é precipício,
durma,
e nem com Deus no hospício,
(durma) nem o hospício
é refúgio. Fuja.


Escrito por Riso às 10h46
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Repúdio I e II

Quer dizer que agora é assim? Simplesmente, arbitrariamente a obra some, toma doril e fica por isso mesmo? Pois é, a era neobarroca está aí firme e forte. Os fundamentalistas também. Muito cuidado com a luz, muito cuidado com a sombra.

Aconteceu o seguinte: a direção do Centro Cultural Banco do Brasil atendendo a pedidos de uma organização católica com ares bushbinladeanos decidiu retirar uma das melhores obras da mostra "Erotica – os sentidos na arte", a peça se chama "Desenhando em terços" da artista plástica Márcia X.. O trabalho é representado por dois terços em forma de pênis. Desrespeito?

Márcia X., artista oriunda da EAV-Parque Lage, caracterizou-se pelo conteúdo erótico de seus trabalhos e performances, e sempre colheu elogios durante a vida e sua obra sempre foi pertinentes com as questões da contemporaneidade. Basta lembrar que a retrospectiva apresentada no Paço Imperial foi considerada pelo meio artístico carioca e pelos grandes jornais como uma das melhores mostras do ano de 2005.

Com esta decisão do CCBB, que não teve a dignidade de informar ao curador da mostra a sua atitude, a instituição que tantos elogios já fiz, mancha a sua bela história e tem o meu total repúdio e protesto por uma atitude que fere profundamente os valores democráticos de nossa sociedade. Sem esta essencial peça, a mostra "Erotica" ofusca o seu brilho outrora intenso.

O outro repúdio é com a absurda decisão do Metrô Rio e da Supervia em criar vagões exclusivos para mulheres nos horários de maior movimento.

Bom, das 6h às 9h e das 17h às 20h será assim: mulheres de um lado, homens de outro. Por que não são instaladas câmeras nos vagões? E os seguranças? São tantos no metrô, eles não poderiam reprimir o hediondo comportamento masculino? Que sociedade é essa, hein? E as mulheres que não viajarem nos vagões específicos? Serão vadias, prontas para serem agarradas, sarradas, humilhadas? E nós, homens, machões, cheios de espermatozóides acumulados que não conseguimos segurar nossos instintos primitivos e a cobrança social de provarmos 24 horas a nossa virilidade? Que legal, né? Agora andaremos em vagões fedorentos, com vários seres repugnantes, espremidos uns aos outros, sarrando-se. Uma bela vitória gay, machões pitbulls! Foi isso que vocês conseguiram.

Só sei que caminhamos a passos largos para a bárbarie, se é que já não estamos vivenciando-a.

Um abraço!



Escrito por Riso às 02h49
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O eterno Fio de Esperança do Futebol

Sou um homem realizado, o futebol me deu tudo,

e tenho certeza que fiz muito pelo futebol.

(Telê Santana)

Se hoje gosto, vibro, choro e prezo pelo bem do Futebol, posso dizer, sem nenhuma demagogia ou medo de errar, que vários fatores motivaram o prazer, o gozo pelo velho esporte bretão bem jogado, e antes de ser uma competição, ou torcer para que meu time ganhe de qualquer maneira, houve alguém que ensinou-me a olhar, a sentir o jogo de outra maneira, esse alguém chama-se Telê Santana.

Para a minha geração a Copa de 1982 foi, ao mesmo tempo, fascínio e desgraça. Tinha oito anos de idade e aquela seleção era formada por craques, heróis verdadeiros. Lembro que toda a minha turma era hipnotizada pela maneira como aquela equipe jogava, sabíamos a escalação de cor, queríamos ser Zico, Sócrates, Falcão ou Cerezo. Lembro, ainda mais, que no meio de toda aquela euforia, instalada após uma vitoriosa excursão da seleção canarinho à Europa no ano anterior, o Mestre Telê em todas, rigorosamente todas as entrevistas, valorizar, enfatizar, louvar o retorno do futebol-arte. E assim fomos à Copa ao som de "voa, canarinho, voa", com a certeza do tetracampeonato.

A defesa irrestrita do futebol-arte como característica e fator diferenciador do jogador brasileiro, e que pratica um estilo de jogo onde os recursos de faltas, da violência e da deslealdade com o adversário, tão usado e aclamado por parte dos técnicos, jogadores, imprensa e torcida atualmente, eram desnecessários, são uma das maiores recordações futebolísticas de minha infância. Mas, por ironia dos deuses da bola, aquela seleção sucumbiu diante da Itália e quatro anos depois, já envelhecida, perderia novamente no México. Aí, solidificou a fama de pé-frio de Telê.

Entretanto, os deuses não foram cruéis com o Mestre e na primeira metade do último decênio do século XX, ele foi o comandante de um dos melhores e mais vitoriosos times de toda a gloriosa história de nosso futebol, o São Paulo, bicampeão mundial em 1992-1993. Nessa época, Telê foi finalmente reconhecido como um grande técnico, e mais uma vez por ironia dos deuses, com um time que seguia a sua cartilha de valorizar a técnica, a habilidade, o jogo para a frente, sem faltas e sem violência. A justiça estava feita com ele que pregou, desde o tempo de jogador, o mesmo discurso.

Como técnico era considerado exigente, rigoroso, perfeccionista, ranzinza e chato. Todavia, era um profissional dedicado, atencioso, amigo dos jogadores, porém não passava a mão na cabeça de ninguém. Tinha uma preocupação especial com os jovens que subiam para o time profissional, era conselheiro e pai destes. Vários são os depoimentos de jogadores a confirmar a conduta do Mestre. Zico declarou: "Foi o único técnico que tive que jamais mandou bater."; Serginho Chulapa disse: "Me lançou no São Paulo. Cobrava dentro e fora de campo. Dou graças a Deus por ter sido seu comandado e ter vencido no futebol graças a ele."

Como jogador teve seus melhores momentos no Fluminense, ficou conhecido como Fio de Esperança, onde é até hoje o terceiro maior artilheiro do clube com 165 gols, e conquistou quatro títulos – dois torneios Rio-São Paulo e dois cariocas.

Hoje, 21 de abril de 2006, a bola, o gramado, os amantes do futebol choram. Mas, enquanto houver uma pedalada do Robinho, um chute certeiro de Ronaldo Fenômeno, Kaká com suas arracandas, as imprevisíveis jogadas de Ronaldinho Gaúcho, ou o grito de gol de um menino numa pelada de rua em qualquer lugar do mundo, lá estará o legado do Mestre Telê Santana, o eterno Fio de Esperança do futebol.

Riso

21/04/2006



Escrito por Riso às 01h23
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Tá, bata! na minha cara ou a quasi-pintura que leva além

A modelo frente e verso. Duas fotos, duas imagens metonímicas do corpo. Sensualidade, desejo, prazer, instigante mistério e sertão envolvido olhar. Há um corpo sim, porém brutal e estrategicamente despersonalizado, a fortalecer, a transparecer a erotização.

A pintura, as fotos, as calcinhas. Estranguladas na estreita passagem da garganta, morrem as palavras. Eu, afastado da pintura, pergunto-me: como agir? Como lidar com as letras, dominante no momento, a impor a participação no trabalho? Oh, Basquiat, rogo-te a luz!

A dúvida, o não-fazer, a inércia. Instalada a crise, a batalha está perdida. Todavia, o artista-guerreiro em estratégica retirada recolhe-se, para junto aos seus pares instrumentais no fazer artístico, recompor o seu exército de criatividade, e no campo ilimitado das idéias busca o insight necessário para vencer a mãe de todas as batalhas, e em triunfal e derradeira luta, destituir o suporte a ser trabalhado da condição a-rtística, submetê-lo e elevá-lo ao seu reino glorioso das artes.

(continua)



Escrito por Riso às 01h19
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Tá, bata! na minha cara ou a quasi-pintura que leva além (continuação)

No infindável pensar, rever Marcel Duchamp, Helio Oiticica, Warhol, Basquiat, Magritte, Max Ernst, Matisse, Kirchner, Modigliani, a povera italiana, as mulheres de De Kooning e Eric Fischl são fundamentais na concepção do trabalho.

Decidido a afastar-se da excessiva gestualidade, marca da minha pintura, resolvo focar o trabalho na lingerie e mesclar linguagens.

Para isso, opto em usar reproduções das fotografias para pintar o menos possível. Em fazer uma pintura que não quer falar de pintura, não quer ser pintura, é quasi-pintura. Com isso, busco a economia de gestos, traços e tintas. Aproprio-me do naturalismo das fotos e, em ato lúdico, ora deixo o gestual agir e encubro as imagens, ora busco a transparência da tinta. A presença do paradoxo, o gestual não desejado está presente.

O título

Mais uma vez o lúdico e as lembranças dadá-concretistas atuam para aliar o nome da modelo ao trabalho. Após sucessivas e incansáveis repetições do nome Tábata, onde até a referência tropicalista surgiu (tábata-ta-ta-ta-tá); a bata, vestimenta indiana usada pela modelo entre outras elucubrações, até o momento de olhar as duas imagens lado a lado e atentar para o conteúdo erótico, a provocar o observador que deseja apreciar, tocar, sentir.

As duas mãos sobre o ventre a acariciá-lo, ou como se fizesse o movimento de retirar a calcinha ou a se masturbar em uma foto. Na outra, a região glútea em leve empinamento convida-nos a contemplação e concluo que no nome há a contração/aceitação "tá", a seguir "bata", do verbo bater. Lembro dos versos "dói / um tapinha não dói / só um tapinha", onde o observador-parceiro sedento de desejo clama pelo direito ao toque, ao tapa. Vencida pelo poder implacável do tesão, ela consente: "Tá, bata!"

A partir daí, foco na imagem traseira e fixo-me na horizontalidade da calcinha a recordar um vôo - na fúria do calor sexual, geralmente a calcinha, quando retirada, realiza um rápido e abrupto vôo -, que pode ser uma asa-delta, um avião, uma gaivota ou pássaro qualquer. Retorno ao nome e encontro a palavra inglesa bat, que quer dizer morcego. O morcego é um animal que apresenta algumas peculiaridades, tais como ser um mamífero que voa, acasalar-se de ponta-cabeça, possuir um radar, além de todos os mistérios que o cercam nas diversas culturas do planeta. Urgem algumas questões: diante de voluptuosas e hipnotizantes imagens, que mistérios envolvem esta mulher? Será possuidora de encantos e mistérios no jogar sexual? O que aguardará o incauto homem, servo do prazer, cego pela volúpia, rijo pela luxúria?

As calcinhas

O uso das calcinhas no trabalho revela algumas questões como a presença de um produto de consumo de massa, a referência a Andy Warhol, assim como ser um objeto de desejo masculino, um fetiche para os homens que sentem os mais variados desejos ao tocar, cheirar, morder, ter, usar, sentir, gozar.

Conclusão

Este foi um trabalho que criou uma ruptura na minha relação com a minha arte. Por apresentar novas possibilidades de criação, o trabalho está indeciso, contido, inseguro. Sem maiores problemas, novos horizontes surgiram, caminhos inexplorados serão desbravados. Vamos ver onde levarão.

Riso

20 de abril de 2006.



Escrito por Riso às 01h16
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Luz e sombra - flanando pela paulicéia desvairada

Se você é daquele que acha que a praia de paulista é o rio Tietê, peço-te, encarecidamente, que reveja os seus conceitos. Antes de ser apedrejado por fazer defesa de São Paulo, até porque não consigo aceitar bizarrices como o ônibus elétrico a tumultuar ainda mais o centro de Sampa, creio que deveríamos abandonar o olhar pejorativo, preconceituoso e ultrapassado, e percebermos o lado bom de termos dois grandes centros relativamente próximos, cada um com suas particularidades, sendo os dois principais pólos culturais não só do Brasil, mas da América Latina.

Estive no feriado último em Sampa após dois anos longe da cidade para visitar algumas exposições de artes plásticas e, se possível, um teatro qualquer. O roteiro inicial era MAM e MAC/USP, ambos no Parque do Ibirapuera; Itaú Cultural, Casa Rosa e MASP, na Av. Paulista; Museu da Língua Portuguesa (este inexplicavelmente fechado), Pinacoteca e Estação Pinacoteca, na Estação da Luz; e CCBB no Centro antigo. Um detalhe para os desavisados: os acervos da Pinacoteca e do MASP abrigam as maiores e mais completas coleções de Arte da América Latina. Chega a dar pena quando recordo-me do nosso querido MNBA e seu, não menos importante, porém menos abrangente acervo. Só por este detalhe, visitar São Paulo torna-se um programa obrigatório para quem quer ter contato com significativas obras de relevantes artistas e não "quer" ir até o Louvre ou o MOMA.

Sobre o que foi visto

A gigantesca aranha de Louise Berguoise nos recepciona no MAM. Lá dentro, uma ótima retrospectiva do Matisse brasileiro, Alfredo Volpi, e sua influência cromática na produção artística tupiniquim.

O moçambicano Naguib E. Abdula surpreende com trabalhos de altíssima qualidade em variadas técnicas, cheios de signos e símbolos, lembrando as obras de Jean-Michel Basquiat ou vice-versa. Destaque à bela instalação em memória do poeta africano José Craveirinha. >

Impressionismo, Barroco, Renascença e Modernismo são alguns dos diversos estilos e épocas encontrados na coleção do MASP. Vários Renoir, vários Cézanne, Poussin, Rubens, Picasso, Di Cavalcanti entre tantos outros compõem esta fantástica coleção. Se estiver em São Paulo, vá de qualquer maneira.

O belo prédio da Pinacoteca já vale a visita, mas não é só isso. A Pinacoteca abriga relevantes obras de artistas nacionais e estrangeiros, como esculturas de Auguste Rodin, e, por enquanto a melhor mostra do ano: Luz e Sombra na arte italiana entre o Renascimento e o Barroco, com obras jamais vistas nestas terras. Caravaggio, Guido Reni, Rafael, Michelangelo, Ticiano, El Greco, Tintoretto e outros mais estão presentes com pinturas de extrema excelência. Ainda há uma boa mostra a representar os caminhos da abstração e figuração dos anos 60 para cá, artistas como Alex Flemming e o argentino Leon Ferrari marcam presença.

A Estação Pinacoteca, antigo prédio do abominável Dops, apresenta uma boa seleção de pinturas do modernismo brasileiro e uma mostra de arte contemporânea francesa onde o vídeo é predominante.

(continua)



Escrito por Riso às 23h27
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Luz e sombra - flanando pela paulicéia desvairada (continuação)

Flanando entre luz e sombra

Andar pelas ruas de Sampauleira é uma ótima experiência para o observador em um verdadeiro passeio etnográfico, sendo dia ou noite. Os tipinhos inúteis da juventude (as tribos necessitam afirmar-se) são constantes. Camelôs, executivos, motoboys, japoneses, nordestinos, putas e bichas, bolivianos e peruanos - sei lá -, às vezes tenho a impressão que em Sampa todos são estrangeiros. Assusta a grandiosidade urbana, o céu acinzentado, pessoas e carros circulando sem parar, assim é o dia.

A noite do centro da cidade traz os seres das trevas que o dia escondeu, talvez pela menor quantidade de pessoas. Mendigos, famílias inteiras, traficantes, pivetes, a Rota, prostitutas, desocupados, bichas, livre e intenso consumo de crack, vagabundos de todas as espécies devoram-se na guerra constante do cotidiano, onde todos os participantes apenas retardam o derradeiro dia de suas vidas. >

A despedida

Uma menção mais que especial à bela Cristina, companheira na trilha das artes nesta jornada paulistana, que me presenteou com um livro sublime do genial pintor Caravaggio. São páginas intensas de saber e sabor , e a leitura já foi iniciada, Cris. Você não tem idéia o quanto fiquei surpreso e feliz. Regozijo-me em desfrutar do teu carinho e consideração, por isso, sem hesitação, louvo-te aos quatros ventos.

Agradeço ao Leonardo, primo da Cris, com sua paciência e educação, foi o guia a iluminar nosso caminho nas profundezas labirínticas das sampauleiras ruas.

Riso

17 de abril de 2006.



Escrito por Riso às 23h26
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Neo... o quê? Considerações a respeito da arte na pós-modernidade

O termo Neo-expressionismo remete a um dos movimentos do Modernismo conhecido como Expressionismo, muito difundido na primeira década do século passado na Alemanha. O prefixo neo nos chama a atenção para o compromisso que os artistas neo-expressionistas possuíam com a arte contemporânea e o caráter regressor, típico da pós-modernidade. É regressor porque vivemos em uma época que não temos noção de novo, de novidade, o que obriga o artista contemporâneo a visitar o passado, a inspirar-se e apropriar-se de estéticas anteriores para problematizar questões pertinentes à atualidade. Isso faz com que o artista seja consciente da História da Arte, como força-o a pesquisar outras áreas do conhecimento.

As informações são várias, as referências muitas. A condição pós-moderna libertou a Arte do ideal contemplativo dominante desde o Renascimento, ou seja, a aparência da obra não interessa mais. Novas perspectivas iniciadas com Marcel Duchamp e o seu urinol, aprofundadas e consagradas por Andy Warhol e as caixas de sabão Brillo Box posteriormente, inquietam e confrontam a produção contemporânea desde a segunda década do séc. XX.

Rompido o compromisso com o belo, o artista se fecha em questões, na maioria das vezes, pertinentes ao próprio fazer artístico. O processo de criação passa a ser tão ou mais importante que o resulta final do trabalho. Além da Arte estar desobrigada a reproduzir o belo, há a necessária e perturbadora questão do efêmero: não há necessidade da obra de arte atual durar por séculos e séculos. Com isso, materiais inusitados e perecíveis são experimentados de diferentes maneiras. Outro dado importante ainda relacionado à efemeridade, é o questionamento de espaço expositório, ou seja, os museus e galerias. Surge o conceito de site-specific, que são trabalhos concebidos para serem produzidos e expostos em um único lugar, o que faz com que, em muitos casos, a arte saia do seu espaço tradicional de exposição e passe a interagir com o espaço urbano. Assim, o suporte do artista deixa de ser limitado como em uma tela de pintura, para passar a ser o meio em que vive. Logo, a localização do trabalho passa a ter vital importância devido a sua posição fixa e inevitável; o local torna-se moldura. É neste momento em que as instalações e as intervenções urbanas começam a aparecer. Nesses trabalhos não há compromisso em ser esteticamente agradável, mas em ser notado. Há ausência de qualquer atração formal ou conteúdo emocional, os trabalhos passam a ser frios e impessoais. Isso nada mais é que uma condição essencial do fazer artístico na pós-modernidade: a neutralidade. Um ótimo exemplo, porém na escultura, seriam as obras da inglesa Rachel Whiteread, em que a sua proposta é esculpir o vazio presente nos objetos.

Diante desses novos parâmetros, a pintura é questionada constantemente e passa a ser vista como uma atividade anacrônica, porque não consegue adaptar-se aos novos paradigmas impostos pela pós-modernidade. Essa situação agravou-se após a explosão proporcionada pelo Expressionismo Abstrato, ou Action Painting, movimento essencialmente americano, e que alçou os Estados Unidos à vanguarda da arte pela primeira vez na História. Liderados por Jackson Pollock, que era a mais radiante estrela de uma constelação de artistas, esses pintores levaram a pintura às últimas conseqüências na virada dos anos 1940/1950.

Desde então a morte da pintura foi decretada incontáveis vezes nas duas décadas posteriores. Os poucos artistas que faziam pintura nesse período rejeitavam toda a cultura pictórica, pois seria um obstáculo a toda e qualquer expressão adequada às urgências pós-modernas. Esta rejeição levo-os a buscar uma solução para o problema que esta postura, típica da arte conceitual, apresentou à pintura: como arranjar as cores quando a composição pictórica convencional não está mais sendo usada? Daí o porque da proliferação de pinturas monocromáticas no período. Por conseguinte, na aurora dos anos 1980 uma nova geração espetacular de pintores impõe o retorno à figuração e às cores, e mostra que a pintura negava-se a morrer, continuaria a caminhar revitalizada e voltaria a participar dos questionamentos caros à contemporaneidade.



Escrito por Riso às 14h21
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Um breve histórico expressionista

Na Alemanha, o Expressionismo atuou em diversos campos das artes, como exemplo os filmes Nosferatu, de F.W. Murnau, e Metrópolis, de Fritz Lang. Contudo, não nos aprofundaremos em sua pluralidade, para nos concentrarmos na pintura.

Encontramos as primeiras características expressionistas em van Gogh, pelo modo intenso de suas pinceladas, e em Paul Gauguin pela ruptura da noção correta de perspectiva e o seu contato com as culturas "primitivas". Outra influência marcante, talvez a maior, foram os vigorosos trabalhos de Edvard Munch, com destaque incontestável para a sua famosa tela O Grito (1893), em que nos defrontamos com a figura humana cadavérica no primeiro plano do trabalho e o angustiante grito que dela é emanado e expandido por toda a pintura. Não podemos esquecer que o homem da derradeira metade do séc. XIX encontra-se angustiado com os novos rumos tecnológicos, com os avanços nos vários campos científicos e do saber que começavam a despontar. Aqui, Munch aproxima-se do simbolismo de Charles Baudelaire e Arthur Rimbaud em suas letras.

Contudo, o Expressionismo não ficou restrito à Alemanha e expandiu-se para outros países. Recordemos a presença austríaca nas impactantes obras de Egon Schiele, morto prematuramente, e de seu patrício Oskar Kokoschka, influenciados pela atuação do psicanalista Sigmund Freud em Viena. Em França, o grande mestre Henry Matisse e Andre Derain lideraram o grupo conhecido como Les Fauves (As Feras), ou Fauvismo, como ficou mais conhecido, que, de certa maneira, dialogava com a estética expressionista.

O principal grupo expressionista alemão chamava-se Die Brücke (A Ponte). Excelentes artistas integraram o Die Brücke, com inquestionável destaque para os nomes de Ernst Ludwig Kirchner, Erich Heckel e Emil Nolde. A proposta desse grupo era criticar os velozes e inovadores acontecimentos que a modernidade apresentava. O nome A Ponte refere-se ao ato do artista sair dos grandes centros urbanos e buscar no cotidiano simples, no trabalho e nas obrigações religiosas do camponês os valores que se dissipavam nas cidades. Aqui temos uma clara influência de Paul Gauguin e a sua ida ao Taiti. A espontaneidade, a rápida ação do artista enquanto pintava, muitas vezes com violentas pinceladas, a distorção explícita da figuração e as cores fortes despreocupadas com a verossimilhança são algumas das características marcantes do Die Brücke.

Todavia, sabedores dessas características, não devemos nos surpreender com a perseguição implacável que esses artistas sofreram após a ascensão do nazismo, já que as propostas expressionistas eram contrárias à estética nazista que reverenciava o naturalismo da escultura greco-romana. Assim sendo, o governo nazista chegou ao extremo de organizar uma exposição intitulada Arte Degenerada, em 1937, composta quase que exclusivamente por obras expressionistas.

O Neo-expressionismo na Europa

O movimento neo-expressionista não possuía os manifestos, os dogmas e as doutrinas típicos do Modernismo. O que acontecia era que determinadas propostas relacionadas à pintura aproximavam os artistas, no entanto com particularidades pessoais e nacionais. Sendo assim, distintas facetas surgiram em países como Alemanha, Itália, Estados Unidos e Brasil.

Na Alemanha o movimento conquistou vários adeptos que tinham em comum o desejo em falar de um sentimento nacionalista, um tema complicado, porém sem remeter ao passado nazista. George Baselitz, A. R. Penck, Anselm Kiefer, Jörg Immendorf, Markus Lüpertz, Rainer Fetting e Helmut Middendorf são nomes significativos do neo-expressionismo alemão, e muitos deles fizeram parte do grupo Die Jungen Wilden (Os Jovens Rebeldes). Seus trabalhos possuem grande conotação política e social, em que a história e os símbolos alemães são apresentados constantemente. As pinturas apresentam intenso caráter visceral, as cores são fortes e viscosas, a figuração humana é distorcida, as telas são em grande formato.



Escrito por Riso às 14h20
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Uma menção especial deve ser feita a George Baselitz. Ele é o mais radical de todos os artistas alemães e, talvez, o principal nome do neo-expressionismo ao lado de Jean-Michel Basquiat (que veremos mais adiante). A agressividade extrema de suas pinturas passou a carregar um componente único a partir do momento em que passou a expor seus trabalhos de cabeça para baixo. A proposta de Baselitz, iniciada no final dos anos 1960, era romper com a perspectiva aérea, fundamentada por Brunneleschi e, posteriormente praticada com excelência por Massacio e os pintores renascentistas. Essa característica é tão marcante e praticada com tamanha mestria em sua obra que, desde então, raros foram os artistas que ousaram utilizar o mesmo recurso. Porém, o fato de girar uma figuração em 180º nos apresenta uma visão de mundo conturbada e caótica, em que as figuras humanas invariavelmente demonstram-se angustiadas e isoladas.

Os neo-expressionistas italianos, como Sandro Chia, Francesco Clemente, Enzo Cucchi e Mimmo Paladino, sob o título de Transvanguarda, têm a mesma dificuldade em romper com o passado fascista de Mussolini e expor em suas obras qualquer sentimento nacionalista. O que era agravado pelo próprio passado da arte italiana no período modernista, em que os artistas ligados ao Futurismo chegaram a apoiar o fascismo.

Francesco Clemente é um artista que busca a amplidão de referências em suas obras. Nos confrontamos com motivos e citações diversos, tais como o cristianismo, a arte e filosofia hindu, a alquimia e a astrologia. Contudo, o seu próprio rosto e corpo são exaustivamente representados, como, também, o corpo feminino, em pinturas que enfatizam os órgãos sexuais, revelando uma sexualidade andrógina, às vezes auto-erótica, polimorfa, tântrica e inspirada no Kama-Sutra.

Neo-expressionismo à americana: Jean-Michel Basquiat e Keith Haring

A cena americana na década de 1980 mostrou características diferenciadas ao que acontecia na Europa. Havia a ascensão de novos colecionadores e novas galerias de arte eram inauguradas pelo Soho e o East Village, em Nova Iorque. Essas pessoas não se interessavam tanto pela arte em si, porém perceberam que investir em arte poderia ser, e como foi, um ótimo negócio, que aliava retorno financeiro na compra e venda das obras e, principalmente, visibilidade em torno das figuras do colecionador, do marchand (agente) e do galerista. Esses novos participantes na cena artística estavam ávidos por novidades e novos artistas, foi nesse momento que passaram a dar atenção às pichações nos muros dos badalados bairros do cenário artístico nova-iorquino, mais precisamente as de um grafiteiro que se identificava pela alcunha SAMO. SAMO posteriormente revelaria ser a explosão maior do período neo-expressionista, aquele que sintetizou em sua obra e em sua vida o que havia de melhor e pior na turbulência provocada pelo consumo exarcebado que a arte atingiu na década de 1980. Seu nome: Jean-Michel Basquiat.

Basquiat nasceu no Brooklyn nova-iorquino em 1960. Filho de uma mãe negra porto-riquenha e um pai negro haitiano com o qual tinha um péssimo relacionamento. Sua ligação com as artes iniciou quando sofreu um grave acidente de automóvel, tendo ficado internado por vários dias e, sua mãe, para ajudá-lo a passar o tempo, deu-lhe um livro de anatomia e um bloco de desenho. Com o seu rápido desenvolvimento e interesse pelas artes, ela passou a levá-lo constantemente aos museus da cidade, o que fez aumentar ainda mais a curiosidade e a vontade de produzir.

Já no final dos anos 70, Basquiat desenvolve um ótimo trabalho de grafite nos muros do seu bairro junto a outros grafiteiros. Neste momento, começa a surgir um novo ritmo oriundo dos guetos negros da cidade, é o nascimento do hip-hop e da dança break, ritmo marcado pelas composições de forte conteúdo social e político em relação à figura do negro na sociedade americana. Como também era músico logo se interessou, tendo participado de algumas gravações com a sua banda de art-noise, Grey, e fez algumas capas de discos para os seus colegas, pois já era bastante conhecido como o grafiteiro SAMO.



Escrito por Riso às 14h19
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